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atualizado em 23 de fevereiro de 2012                       quem somos | contato | newsletter       

   
 
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Porcas e parafusos: o recall das Frontiers

foto de divulgação

Aperto dos parafusos na montagem dos carros é controlado pelas ferramentas
Parafusos frouxos em sistemas de segurança do automóvel são uma falha grave, pois criam risco de acidentes e podem colocar pessoas em perigo. Por isso, os fabricantes de automóveis costumam tomar cuidados especiais na montagem de sistemas como o da direção, suspensão e freios, por exemplo.

Exatamente por isso, um recall como o da Nissan, de mais de 35 mil picapes Frontier, devido à falta de aperto de parafusos do sistema de direção causa preocupação. Como uma falha destas pode ter ocorrido?

Quando um automóvel é projetado, o aperto de cada parafuso é especificado pelos engenheiros. A força com que um parafuso ou porca é colocado no carro depende de vários fatores, como tipo de material das peças que eles estão juntando, tipo de rosca e o material usado na sua construção.

Força na dose certa - É muito importante que os parafusos se mantenham apertados porque, se afrouxarem, eles podem causar problemas em outros componentes, forçando eixos, engrenagens e rolamentos.

Nas linhas de montagem de automóveis, os operários não apertam parafusos livremente. Eles usam chaves com torque regulável, que podem ser tanto manuais como elétricas ou pneumáticas. Essas chaves possuem uma catraca que, assim que o aperto desejado é atingido, faz com que girem em falso, evitando um aperto excessivo, que pode danificar a rosca dos parafusos e porcas ou até mesmo as peças que estão sendo montadas.

Controle de qualidade - Em todas as fábricas de automóveis, inspetores de qualidade verificam o aperto desses parafusos mais importantes frequentemente. As inspeções podem ser por amostragem, isto é, acontecer a cada 20, 30, 100 ou outro número de carros. Se no carro escolhido para as medições houver algum problema crítico, todos os do mesmo lote são verificados, para possível correção.

Evidentemente, no caso da Nissan, nenhuma das Frontiers inspecionadas deve ter apresentado problemas na fábrica. Uma regulagem errada do torque nas chaves não seria mantida ao longo de vários anos, em algum momento seria detectada.

Outra hipótese para os problemas que levaram ao recall, seja a falta de aperto dos parafusos da direção ou os do capô, poderia ser um defeito nos parafusos, seja o uso de material errado, deficiência de tratamento térmico ou erro nas medidas. Mas os parafusos comprados pelas fábricas de carros também costumam passar por inspeções de qualidade, especialmente os usados em componentes que envolvem segurança.

Especificação incorreta? - Outra possibilidade é um erro de especificação. Pode ser que, ao projetar o veículo, os engenheiros tenham especificado um torque seguindo normas corretas mas que, por alguma razão, não funcionaram no caso das Frontiers afetadas. Vibrações em excesso, por exemplo, podem afrouxar parafusos. Se este foi o caso, pode não ter havido erro algum na montagem ou nas inspeções – os valores especificados é que estariam errados.

Para evitar este tipo de erro, antes dos carros começarem a ser montados para venda ao público, são submetidos a muitos testes, de rodagem e laboratório. Plataformas que simulam pisos irregulares permitem, por exemplo, que a suspensão seja movimentada como se estivesse percorrendo estradas esburacadas por dezenas de milhares de quilômetros num período bastante curto, submetendo todo o conjunto da carroceria a tensões e torções capazes de afrouxar um parafuso mal fixado.

Além disso, carros pré-série também são testados em ruas e estradas por dezenas de milhares de quilômetros em busca de possíveis defeitos, sejam de construção ou de projeto. Um veículo novo não costuma ser liberado antes que uma frota de carros de testes tenha rodado pelo menos um milhão de quilômetros e alterações ao longo da vida útil de um modelo também costumam ser testadas intensivamente.

Tudo isso torna intrigante os problemas ocorridos nas Frontiers incluídas no recall convocado esta semana: por que um problema sério como o relatado ficou oculto durante tanto tempo antes de ser descoberto.


Jorge Meditsch


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